quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Quarta-feira, 1 de dezembro de 2010 às 18:22. Desenvolvimento regional é uma realidade no País e veio para ficar.

O problema do Brasil é estrutural. Precisamos de reformas estruturais profundas, que são necessárias. Isso no passado levava ao pânico: ‘Isso é blá blá blá marxista’. E hoje todo mundo sabe que é a pura verdade. Se você mantém a estrutura de poder, essa estrutura de poder exige uma distribuição de renda que concentra poder e concentra renda. E agora, para onde vamos? (Celso Furtado 1920-2004)

Se fosse vivo, o economista Celso Furtado teria a sua resposta: o Brasil hoje segue o caminho do desenvolvimento buscando o equilíbrio entre as regiões do País. Se antes o Norte e o Nordeste apresentavam sempre os piores índices de analfabetismo, mortalidade infantil, desnutrição e média salarial, e poucas ou nenhuma obra de porte para garantir emprego e renda à população, agora tem indicadores consistentes de que a realidade é bem outra. O desenvolvimento regional é uma realidade que veio para ficar e garantir um maior equilíbrio ao País. Se fosse vivo, Celso Furtado seria convidado a conhecer alguns dos projetos que tornaram as regiões Norte-Nordeste motores do desenvolvimento brasileiro, afirmou o presidente Lula durante a cerimônia realizada nesta quarta-feira (1/12) no Palácio do Planalto para a entrega do Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional -- Edição 2010: Homenagem a Celso Furtado. O Brasil está descentralizando investimentos e, com isso, descentralizando oportunidades, lembrou o presidente:

Nós estamos dizendo ao mundo este País não quer mais ser um País de terceiro mundo, este País não quer mais ser um país apenas em desenvolvimento, este País não quer mais ser chamado de emergente; este País quer ser desenvolvido e que todas as regiões tenham a mesma possibilidade.

O presidente lembrou aos presentes ao evento que os avanços das regiões mais pobres do Brasil só serão perceptíveis dentro de uns 10 anos, mas que alguns dados já podem ser observados. Por exemplo: se o Nordeste tinha menos de 3% de doutores e mestre, hoje já está com quase 10%. E o crescimento na região está acima da média nacional, graças a programas sociais como o Bolsa Família e a decisões políticas como a do reajuste do salário mínimo. “Se continuar nesse ritmo, dentro de 10 ou 15 anos nós teremos diminuído muito a desigualdade regional”, afirmou Lula. “Se nós não trabalharmos pelo desenvolvimento regional e não tornar o Brasil mais igual, mais justo e garantir mais oportunidades a todos os brasileiros, nós vamos ter um Brasil um pouco capenga.”



O Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional 2010 está na sua primeira edição e homenageou o economista Celso Furtado por sua contribuição ao estudo dos problemas de desenvolvimento econômico e regional no Brasil e pelos 50 anos do lançamento do seu livro Formação Econômica do Brasil. A iniciativa é do Ministério da Integração Nacional e visa promover a reflexão sobre os aspectos teóricos e práticos do desenvolvimento regional no Brasil, envolvendo o poder público e a sociedade civil organizada na discussão e na identificação de medidas concretas para a redução das desigualdades de nível de vida entre as regiões brasileiras e a promoção da equidade no acesso a oportunidades de desenvolvimento.

O Prêmio foi dividido em três categorias, definidas com base nas estratégias e objetivos do Plano Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR): Produção do Conhecimento Acadêmico, Práticas Exitosas de Produção e Gestão Institucional e Projetos Inovadores para Implantação no Território. Cada categoria premia as duas melhores propostas -- o primeiro colocado recebe diploma de reconhecimento de mérito e a quantia de R$ 46 mil. O segundo recebe também o diploma e R$ 23,25 mil.


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