sexta-feira, 5 de março de 2010

O galpão da Vila Carioca

O velho galpão da Vila Carioca vai dar lugar a um moderno complexo habitacional voltado para a população de baixa renda. Um antigo sonho do presidente Lula vai se transformar em realidade. Foto e vídeos: Roberto Cordeiro/Blog do Planalto


O galpão de 43 mil metros quadrados situado na Vila Carioca, Zona Sul de São Paulo, abrigará um complexo habitacional com até 950 apartamentos distribuídos em 17 lotes. Os primeiros traços de arquitetura e urbanismo começaram a ser feitos esta semana pela equipe da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) do Estado de São Paulo. À frente do grupo de trabalho, Evangelina de Almeida Pinho, enfatizou que o presidente Lula quer moradias de qualidade para as famílias de baixa renda.

Por isso, tudo vem sendo tratado com riqueza de detalhes. Os prédios terão quatro andares sustentados por pilotis. Cada apartamento contará com vaga de garagem e em cada lote haverá uma área de lazer. Em uma área maior, os equipamentos públicos como escolas, creches e postos de saúde, além de espaço de lazer como quadra de esportes e parques para as crianças.
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Nos anos 50, o menino Luiz fitava da janela de sua casa, na rua Auriverde, no bairro Vila Carioca (zona sul de São Paulo), homens trajando terno de linho branco chegando ao grande galpão para o trabalho. Lá os homens trocavam o terno por roupas mais apropriadas para a operação de estiva. Cada um carregava três sacas de café. Quando chovia, a rua ficava alagada e, para que os operários pudessem atravessá-la, o menino Luiz colocava tábuas e recebia alguns trocados.

Luiz cresceu, virou metalúrgico, líder sindical, criou um partido político e, por fim, foi eleito presidente da República. Mesmo depois de tanto tempo, manteve em mente o desejo de transformar o galpão de 43 mil metros quadrados num espaço residencial. Agora o desejo vai se transformar em realidade.

Lula conversou esta semana com o desembargador Roberto Luiz Ribeiro Haddad, presidente do TRF da 3a. Região -- em nome de quem está hoje o galpão -- e acertou a transferência do espaço para a União. As pilhas de processos, equipamentos e material de escritório e carros apreendidos em operações coordenadas pelo Poder Judiciário serão transferidos para outro local e o prédio será derrubado para a construção de um complexo habitacional e área de lazer, escola e posto médico destinado à famílias de baixa renda.


O Blog do Planalto foi a Vila Carioca conhecer o imóvel e conversou com a superintenente do Patrimônio da União no Estado de São Paulo, Evangelina de Almeida Pinho, que iniciou o processo que tem por objetivo tirar do papel as soluções de arquitetos e urbanistas para o local. O presidente Lula quer lançar a pedra fundamental do complexo até o fim do ano.



O presidente Lula foi veemente ao negar que vai se licenciar do cargo para participar da campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, à sua sucessão. “Não há hipótese de acontecer”, disse, em entrevista às emissoras rádio Rural AM e Juazeiro AM, nesta sexta-feira (5/3). Lula está em Juazeiro para inauguração das obras do projeto de irrigação Salitre, na zona rural da cidade baiana. Nessa etapa, serão destinados 255 pequenos lotes para agricultores familiares e 68 lotes para médias empresas. O projeto conta com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na ordem de R$ 251,5 milhões, entre 2007 e 2010. O valor do investimento total no projeto é de R$ 900 milhões.

A informação de que pretendia se licenciar, entre os meses de agosto e setembro, e que o presidente do Senado, José Sarney, assumiria temporariamente seu cargo foi publicada pelo jornal O Globo, na edição de ontem (4/3).

“Ficarei na Presidência da República até o dia 31 de dezembro. À meia-noite, ainda dormirei presidente do Brasil”, afirma Lula na entrevista.





O Brasil não é um país em que “um cara” governa 190 milhões de habitantes, mas um país de 190 milhões de caras governado por um presidente da República. Assim se manifestou o presidente Lula, nesta sexta-feira (5/3), em discursos por ocasião da inauguração das obras do projeto de irrigação Salitre, em Juazeiro (BA). Segundo o presidente, as mudanças que têm implantado no Brasil “incomodam muita gente” e, para comprovar isso, basta acompanhar os meios de comunicação. Por isso, segundo ele, o fato de ser nordestino, nascido em Caetés, interior pernambucano, e de ter passado pelas adversidades da vida, “não tenho medo de cara feia”. Mais uma vez Lula chamou a atenção para o que pode vir a ser o baixo nível da campanha eleitoral deste ano de 2010.

“O nosso país nunca foi tão respeitado como ele é hoje. E respeito agente não aprende só na universidade, mas dentro de casa, com o pai e a mãe da gente. O maior legado que recebi da minha mãe foi o de poder andar de cabeça erguida. Poder olhar nos olhos de cada um. Gosto de respeitar para ser respeitado. O que vai contar para a nossa história é tudo aquilo que a gente já fez”, disse.


Lula explicou que é necessário muito trabalho para poder recuperar aquilo que classificou de “500 anos de desmando” e, em seguida emendou que vem transformando o país porque nunca faltou com o respeito aos companheiros. Ele enfatizou que ao deixar a Presidência da República em 31 de dezembro de 2010 e retornar um dia a Juazeiro, espera ser tratado pelos habitantes da cidade baiana de “companheiro Lula”. Ainda numa alusão aos políticos que se sentem incomodados com sua administração, Lula foi enfático: “Se um Lulinha incomoda muita gente, uma Dilminha incomoda muito mais…”

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