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14/12/12
A dimensão de um homem
Eduardo Guimarães
Luiz Inácio Lula da Silva não é um santo. Tampouco é um demônio. É só
um homem como eu ou você. Mortal. Falível.
Imperfeito. E assim, como
qualquer ser humano, atravessa a vida lutando contra o lado obscuro da
alma – infestado por ódio, cobiça, medo, rancor, ciúme e tantos outros
sentimentos vis.
Todavia, um homem é o que faz de si. Escolhemos o que seremos e nos
tornamos prisioneiros ou detentores dessa escolha. Lula decidiu ser
detentor de suas escolhas de vida. E quando nossas escolhas nos
permitem realizar obras, colhemos os frutos. E quem os dá a nós são os
outros, de uma forma ou de outra.
Um comerciante bem sucedido é conhecido por honrar dívidas, praticar
preço justo e oferecer produto que valha o preço que cobra. Um bom
médico atrai a confiança e o respeito de pacientes e da comunidade
científica. Com um político não é diferente.
Lula entregou o que prometeu. Quando chegou ao poder, o Brasil era
muito pior do que é hoje. Poucos cometeriam o desatino de negá-lo. O
máximo que conseguem é atribuir os êxitos da era Lula a outro que não ao
próprio, ainda que os fracassos lhe sejam integralmente atribuídos.
Mas um homem que opta por trilhar o caminho do bom comerciante ou do
bom médico, que é também o do bom político, vai deixando amigos,
respeito e afeição pelo caminho. É o caso de Lula.
Há dois ou três dias, nas primeiras páginas de todos os jornais
estava sendo tratado como criminoso condenado. Reapareceu na França,
sorridente, sendo homenageado por toda a Europa, discutindo questões
globais de igual para igual com líderes das maiores potências.
Ao mesmo tempo, levantou-se, na sociedade, um clamor de protesto
contra a forma como está sendo tratado um homem que, diante do mundo,
conserva a dimensão de um estadista, sendo alvo dos ataques apenas de
políticos fracassados e empresários de mídia amigos deles.
Até o carrasco de correligionários de Lula, o ministro Joaquim
Barbosa, declarou seu respeito por ele. Entre o povo brasileiro, Lula
ainda é o mesmo que deixou o Palácio do Planalto em seus braços em 1º de
janeiro de 2011, aos oitenta por cento de aprovação.
Mas até isso seus inimigos negam. Colunistas da grande mídia falam
sobre a desmoralização que estaria sofrendo ao ser acusado por um
criminoso condenado em um processo em que até tentaram envolvê-lo, mas
que já termina sem que nada tenha sido apurado contra si.
Assim, inimigos assumidos e enrustidos querem outro processo contra
Lula.
E, imprudentemente confiantes, reconhecem – em colunas, editoriais
e até em reportagens – que a finalidade é impedir que ele chegue a 2014
em condições de disputar qualquer cargo ou de influir em favor de
qualquer candidato.
Se pesquisas que a direita midiática fará mais adiante apontarem
qualquer êxito do massacre acusatório – o que ela espera que aconteça
assim que a marionete que comanda a Procuradoria Geral da República
cumprir seu script e acusar Lula –, aí será a vez de Dilma.
Contudo, só o que se enxerga, até aqui, é que o conjunto de forças
que está se erguendo em favor do ex-presidente comprova como é sábio a
gente semear o bem, a verdade e a justiça.
Em algum momento da vida todos precisaremos de solidariedade. Ninguém
consegue receber tanta solidariedade quanto Lula está recebendo se for
um canalha. E quando um canalha se enfraquece, todos lhe viram as
costas. A dimensão de Lula foi ele quem construiu, e agora a estamos
vendo. E aprendendo.
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