terça-feira, 13 de abril de 2010

Há ainda direita e esquerda



Emir Sader
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade. Por Emir Sader.


Revista Veja partidariza as enchentes



O atento André Lux, do blog “Tudo em cima”, juntou as duas capas da Veja sobre as enchentes que vitimaram paulistas e cariocas. Na capa sobre o desastre em São Paulo, de fevereiro, a revista demotucana culpa exclusivamente a natureza – “uma rara combinação de fatores atmosféricos é a causa do dilúvio” –, limpando a barra do presidenciável José Serra.

Já na sua última edição, a capa da Veja afirma que “culpar a natureza é demagogia”. Ela responsabiliza os políticos – no caso, dois aliados do presidente Lula – que dão “barracos em troca de votos”. Como afirma o blogueiro Rodrigo Vianna, a Veja deixou de ser um veículo jornalístico. “Hoje, é um panfleto. Que usa morte e tragédias para fazer política – com p minúsculo”.

Lula, Obama e a mídia golpista



Em recente entrevista ao diário O Globo, Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e diretora executiva do Grupo Folha, escancarou o jogo: “Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”. A confissão descarada só confirma o que muitos já sabiam. A mídia hegemônica é hoje a principal força da oposição de direita, neoliberal e conservadora, do Brasil.

Como alertou o intelectual italiano Antonio Gramsci, ainda na década de 20 no seu “Cadernos do cárcere”, quando as instituições das elites dominantes estão em crise, a imprensa burguesa ocupa o papel de “partido do capital”. Conforme ensinou, “enquanto aparelhos político-ideológicos que elaboram, divulgam e unificam as concepções de mundo, jornais e revistas cumprem a função de organizar e difundir determinados tipos de cultura”. Só os ingênuos ainda acreditavam na neutralidade da mídia, o que a presidente da ANJ agora confessa que nunca existiu nem existirá.

A falsa “liberdade de imprensa”

Diante desta confissão do crime, qual reação esperar do presidente Lula, cujo ouvido vai virar penico neste ano de cruel guerra sucessória? Até hoje o principal mandatário do país, eleito por milhões de brasileiros e gozando de popularidade recorde, sempre agiu com tolerância diante das “posições oposicionistas” da mídia. Apesar das bravatas de Maria Judith Brito – “a liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado” – nunca houve censura ou perseguição aos veículos “privados” de comunicação. Não há qualquer risco à liberdade de expressão no Brasil.

Num editorial recente, intitulado “devaneio autocrático”, o jornal Folha de S.Paulo – o mesmo da “ditabranda”, da fraudulenta ficha policial de Dilma Rousseff e dos ataques rancorosos à moral do presidente – rotulou o governo Lula de autoritário. Sugeriu que a luta contra a censura fosse uma das principais bandeiras da oposição de direita. Uma lista com sete conflitos com a mídia – em longos seis anos de mandato – foi apresentada como prova do autoritarismo. Pura choradeira de quem promove milhares de crimes editoriais sem ser processado ou molestado.

A reação do conciliador Lula

Apesar deste jogo sujo, o presidente Lula mantém a calma. Nem mesmo as emissoras da rádio e televisão – que são concessionárias públicas e deviam respeitar a Constituição e as leis – são alvo de represália. Elas ainda são palanques eletrônicos para âncoras e comentaristas desclassificados, como Boris Casoy, Arnaldo Jabor, Miriam Leitão e outros direitistas convictos. Ainda recebem milhões em anúncios publicitários do governo. No caso dos jornais e revistas, que não são concessões públicas, o presidente ainda tem a paciência de dar entrevistas que parecem pugilato.

No máximo, o conciliador Lula apenas lástima “as posições oposicionistas” da mídia. Há poucos dias, ele rotulou os jornais de “tablóides” que não enxergam a realidade. No ato político de apoio do PCdoB à pré-candidata Dilma Rousseff, na semana passada, ele ironizou os “editores de política” que não entendem porque a população apóia o governo. Estas suaves alfinetas irritam os barões da mídia, que demonizam seus adversários, destroem suas reputações, mas não aceitam críticas.

Freio de arrumação na mídia golpista

Não dá para esperar uma mudança de atitude do presidente diante das “posições oposicionistas” da mídia. Uma das marcas mais fortes do governo Lula é a da conciliação. Sob o pretexto da governabilidade, ele firmou pactos – explícitos ou não – com a ditadura financeira, os barões do agronegócio e os donos da mídia. Seu governo não adotará a mesma postura de Hugo Chávez, Evo Morales ou Rafael Correa, que denunciam explicitamente o terrorismo midiático e investem em meios alternativos de comunicação. A convocação da 1ª Confecom foi até surpreendente.

No mínimo, porém, o presidente Lula poderia se precaver diante das baixarias da imprensa neste ano de batalha sucessória. Poderia por um freio de arrumação, evitando o pior nas eleições. Uma atitude um pouco mais ousada limitaria as “posições oposicionistas” – na verdade, golpistas – da mídia. Já que não adotará o caminho “radical” de Chávez, Morales ou Correa, ele poderia seguir o exemplo do seu amigo, Barack Obama. No final do ano passado, o presidente dos EUA simplesmente se recusou a dar entrevistas à poderosa Fox News, do magnata Rupert Murdoch.

Annita Dunn, diretora de comunicação da Casa Branca, explicitou o motivo: “A rede Fox News opera, praticamente, como o setor de pesquisas ou de comunicações do Partido Republicano... A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, e não precisamos fingir que o modo como ela trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico. Quando o presidente fala a Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará num debate com o partido de oposição”.


Blog do Miro.















sábado, 10 de abril de 2010

A liberdade de expressão e os direitos politicos do Lula.

10-04-2010.


O presidente Lula tem razão de reclamar, da tentativa da oposição, incluindo o partido da Dona Judith (o PIG - Partido da Imprensa Golpista), e o partido do Gilmar, em tolher sua liberdade de expressão e seus direitos políticos.

O presidente, fora do Palácio e fora de eventos oficiais, tem direito à militância política e a exercer sua liberdade de expressão assegurada pela Constituição.

Na lei eleitoral, diz:

Art. 3º Não será considerada propaganda eleitoral antecipada (Lei nº 9.504/97, art. 36-A, incisos I a IV):
...
II – a realização de encontros, seminários ou congressos, em ambiente fechado e a expensas dos partidos políticos, para tratar da organização dos processos eleitorais, planos de governos ou alianças partidárias visando às eleições;

Na quinta-feira, o Presidente Lula, discursou em ambiente fechado, às expensas do PCdoB, para tratar de alianças partidárias visando às eleições. Está tudo rigorosamente dentro da lei.

O partido da Dona Judith, o partido do Gilmar, e os demo-tucanos estão reclamando do quê?

os amidos do presidente.

Fatos desmentem apologia feita pelo "O Globo" e "O Estadão" para "Marines" se instalarem no Brasil

10-04-2010.

Em março, o chefe do Comando Sul dos EUA, general Douglas Fraser, reuniu-se com Lula, Nelson Jobim e o chefe da Polícia Federal. O Globo e O Estado de S. Paulo lançaram o boato, reproduzido pela imprensa internacional, sobre a negociação de uma base do Pentágono no Rio de Janeiro e alguns jornalistas entenderam que o subsecretário de Estado para as Américas, Arturo Valenzuela, confirmou esse acordo em Quito, dia 5 de abril.

Seria um contrassenso ante a forte reação brasileira às bases dos EUA na Colômbia. No dia 6, Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, negou terminantemente a possibilidade. Em 7 de abril, o Itamaraty anunciou um acordo com os EUA sobre cooperação em defesa sem bases, imunidade para as tropas do Pentágono ou combate ao narcotráfico: apenas cooperação em equipamentos, tecnologia e treinamento. Não havia um acordo formal desde 1977, quando o ditador Ernesto Geisel, acusado de violações de direitos humanos, rompeu com os EUA, mas nada muda de substancial.

Por outro lado, como apontou a BBC, o acordo e a proposta de Washington de indenizar os algodoeiros brasileiros para evitar sanções de Brasília sinalizam distensão após os atritos por causa de Honduras e do Irã. Os EUA mostram interesse em reconquistar as boas graças do Brasil. A recomendação do ex-secretário de Bill Clinton James Rubin de fazer o Brasil “pagar” por sua rebeldia, publicada na Newsweek, pode ser descartada como mera bravata. (da Carta Capital)

Os amidos do presidente.

Deputada do DEM envolvida no desvio de dinheiro do Bolsa Família.

10-04-2010.

A presidente da CPI da Corrupção da Câmara Legislativa do DF, deputada Eliana Pedrosa (DEM), abandonou ontem a comissão após divergências com o presidente interino da Casa, deputado Cabo Patrício (PT).

A deputada Eliana Pedrosa era a secretária de Desenvolvimento Social quando o governo do DF desviou R$ 1 milhão do Bolsa Família para fazer cercas (foto) em estruturas da secretaria.


Mas, se o leitor pensa que Eliana deixou a CPI da corrupção por constrangimento, por ter desviado dinheiro do Bolsa Família, errou. Eliana Pedrosa (DEM), disse para o jornal Folha de São Paulo, que deixou a CPI pelo fato do deputado Cabo Patrício ter convocado quatro servidores da Casa para auxiliarem na investigação da CPI.

Para a deputada esse é um ato "autoritário", por ela não ter sido consultada pelo presidente da Câmara.

"Meu perfil é o de uma pessoa que trabalha, que buscava resultados na CPI, e não posso aceitar esse tipo de atitude", disse ela.

O presidente interino da Câmara Distrital disse que é sua a prerrogativa de designar funcionários para quaisquer comissões da Casa.

Com a saída da deputada, a CPI da Corrupção volta a ficar paralisada. O suplente de Eliana é o deputado Paulo Roriz (DEM), mas deve ser eleito um novo presidente. O deputado Antônio Reguffe (PDT) ocupa o cargo interinamente.

Os amigos do presidente.

Tribunal de Justiça do DF: fraude de R$ 65 milhões para Marajás

Em meio à crise provocada pelo mensalão do DEM, o Poder Judiciário de Brasília é alvo de suspeitas de fraudes milionárias na folha de pagamento.

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta irregularidades em todos os níveis do quadro do Tribunal de Justiça do DF (TJ-DF): desembargadores, juízes e servidores.

Os prejuízos aos cofres públicos é estimado em, pelo menos, R$ 65 milhões por ano.

A investigação identificou magistrados com gratificações ilícitas e acúmulo de cargos no serviço público, além de 120 servidores com salários acima do teto constitucional e promoções de carreira cinco vezes maior do que deveriam ser dadas aos funcionários do tribunal. Leia mais aqui.

O Globo investe contra as 40 horas

No editorial desta terça-feira (6), O Globo voltou a atacar os avanços nos direitos trabalhistas com um discurso que lembra muito o dos escravocratas na época da abolição. No final do século 19, usando uma retórica terrorista, os senhores de escravos garantiram que o fim da escravidão levaria o país ao caos, inviabilizaria o seu desenvolvimento econômico e geraria mais miséria e depravações sociais. O Brasil foi o último das Américas a extinguir a escravidão e o presságio da Casa Grande não se confirmou; o país cresceu e se desenvolveu – ainda que de forma injusta.

Hoje, com o mesmo tom apocalíptico, a famíglia Marinho investe contra dois projetos em debate no parlamento. O editorial é taxativo: “Há prejuízos decorrentes de alguns destes projetos que são indiretos, mas nem por isso são menos deletérios. Caso das propostas de redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 e a da ampliação da licença-maternidade compulsória de quatro para seis meses. São aparentes generosidades que elevam o custo de pessoal para os empregadores e, por isso, como bumerangue, voltam na forma de menos empregos formais”.

Mentalidade escravocrata do capital

O jornal carioca, que não esconde a sua torcida pela candidatura neoliberal do tucano José Serra, também aproveita a discussão sobre os projetos de lei para fustigar a “generosidade” do governo Lula. O alvo escolhido é o ministro Carlos Lupi. “Seu ministério, o do Trabalho, funciona com uma usina demagógica de elaboração dessas propostas – e faz questão de dar um tom de ‘vitória a qualquer preço’ em defesa da candidatura de Dilma Rousseff”.

Os ataques do jornal O Globo não são gratuitos; expressam a visão retrógrada do empresariado. Num artigo recente na Folha, Benjamin Steinbruch, chefão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), que nunca reclamou da “generosidade” do governo na privataria do setor siderúrgico, também condenou a redução da jornada. Para ele, a aprovação deste projeto “seria certamente uma irresponsabilidade... O custo final dessa alteração, feita no embalo do ano eleitoral, poderia ser muito alto para o país”.

Redução estimula o desenvolvimento

Os argumentos escravocratas do jornal O Globo não têm qualquer consistência. Vários estudos demonstram que a redução da jornada, além de gerar mais vagas e permitir uma vida bem mais decente para os que já estão empregados, serviria também para impulsionar o desenvolvimento econômico do país. A medida estimularia o mercado interno ao gerar mais emprego e renda, o que eleva consumo e, conseqüentemente, a produção e a própria produtividade do trabalho. A redução da jornada não resulta em caos, mas sim em progresso econômico e social.

O Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas calcula que a medida abriria, em curto prazo, 2,3 milhões de vagas. Recente nota técnica do Dieese aponta que “num contexto de crescente demanda por mão-de-obra qualificada, a redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, poderia contribuir positivamente para este desafio, na medida em que sobrariam mais horas para o trabalhador freqüentar cursos de qualificação... Ela também tornará possível, ao trabalhador, dedicar mais tempo ao convívio familiar, estudo, lazer e descanso”.

Nada de “demagogia” ou “generosidade”

“Esses fatores desencadeados pela redução da jornada sem a redução de salários poderiam criar um círculo virtuoso na economia, combinando a ampliação do emprego, o aumento do consumo, a elevação dos níveis da produtividade do trabalho, a melhoria da competitividade do setor produtivo, a redução dos acidentes e doenças do trabalho, a maior qualificação do trabalhador, a elevação da arrecadação tributária, enfim um maior crescimento econômico com melhoria da distribuição de renda”, conclui o Dieese, desbancado as teses patronais e o editorial de O Globo.

A adoção das 40 horas também não seria nenhuma “medida demagógica” ou “generosidade”. O custo da força de trabalho no país é um dos mais baixos do mundo e a jornada encontra-se entre as mais altas. Com o crescimento da economia brasileira, as empresas têm auferido lucros recordes nos últimos anos. A elite burguesa está nadando em dinheiro e não tem do que reclamar. A sua ofensiva contra o projeto da redução da jornada, que está para ver votado no Congresso, expressa apenas a mentalidade escravocrata do empresariado e da sua mídia de aluguel.


Custo horário da mão-de-obra manufatureira em 2007:

Países US$

Noruega 48,50
Alemanha 37,66
Bélgica 35,45
Austrália 30,17
Reino Unido 29,73
Canadá 28,91
França 28,57
Itália 28,23
Estados Unidos 24,59
Espanha 20,98
Japão 19,75
Coréia 16,02
Singapura 8,35
Portugal 8,27
Taiwan 6,58
Brasil 5,96

Jornada média de trabalho (2006)

Países Horas semanais

Japão 43,5
Brasil 43,0
Chile 43,0
Suíça 41,2
EUA 41,1
Reino Unido 40,7
Canadá 39,6
Alemanha 37,6
Espanha 35,3

.

A propaganda com medo da lei



Reproduzo artigo do professor Laurindo Lalo Leal Filho, publicado no sítio Carta Maior:

Anúncio de página inteira publicado nos jornalões brasileiros, no dia 6/4, exalta os supostos benefícios da propaganda. Assinado por entidades de anunciantes e de agências de publicidade, ele tenta reagir às iniciativas em favor da existência de um controle público sobre a propaganda. Trata-se de uma vitória dos movimentos sociais e das entidades empenhadas na luta por uma regulação mais rígida sobre essa atividade. Mostra, pelo menos, que elas começam a incomodar quem se julgava intocável.

Não fossem ações como as do Instituto Alana, com o seu projeto “Criança e Consumo”, por exemplo, e os publicitários jamais deixariam de lado o atendimento de suas ricas contas para preparar e publicar um texto incrivelmente enganoso, aliás como muitas de suas peças publicitárias.

Depois de exaltarem a importância da propaganda na disputa pelo mercado chegam a uma conclusão inédita: “a grande maioria das pessoas gosta de propaganda”. Não dizem de onde tiraram tal conclusão. De que pesquisa saíram os dados para sustentar afirmativa tão cabal. É só mais um slogan, tão a gosto do meio.

Mas não ficam por aí. No final do texto está a resposta ao Instituto Alana e aos parlamentares comprometidos com uma legislação mais moderna para o setor. Diz o anúncio: “E quando alguém não gosta (da propaganda), faz o óbvio: muda de canal na hora do intervalo, troca a estação de rádio, deixa de ler o anúncio publicado no jornal”. Simples, não? Ou simplista demais?

Claro que quem escreveu esse texto sabe que isso não é verdade. Eles mesmos produzem os merchandisings que campeiam à solta nas novelas, programas de auditório, transmissões esportivas e são veiculados de forma a impossibilitar a tal mudança de canal na hora do anúncio. Sabem também que ninguém vai girar o botão do rádio quando começa um comercial que o ouvinte, obviamente, nem sabe ainda do que se trata. E é difícil fechar os olhos para uma página inteira de jornal como essa publicada sob o patrocínio das entidades das agências de propaganda e dos anunciantes.

Afinal a missão desses profissionais é fazer de tudo para que o telespectador, o ouvinte e o leitor não desgrudem da mensagem e introjetem o seu conteúdo. É um contra-senso pedir para que eles fujam de algo embalado pelos publicitários para conquistá-los. Em novela recente, em meio à fantasia, a madame entra no carro novo sob o olhar de cobiça da empregada e ressalta, entre as várias qualidades do veículo, o fato de ele ter o piso alto, ficando imune às enchentes. Focalizava-se com destaque a marca do carro e passava-se a mensagem de que, com ele, o problema social das enchentes estaria resolvido. Individualmente, para quem pudesse comprar o tal carro. Aos demais a lama ou o afogamento.

Mas voltando ao anúncio publicado nos jornais. A frase final, referindo-se a possibilidade de mudar de canal, de emissora ou de página, é primorosa: “É impressão nossa ou isso é o direito de escolha levado a sério?”. Direito de escolha? Escolher entre o que? Entre emissoras que transmitem programas iguais, veiculam os mesmos anúncios e não dão nenhuma alternativa aos hábitos consumistas, individualistas e anti-sociais? E mais, que violam a lei sem cerimônia ao ultrapassar o limite máximo de 25% da programação permitidos para propaganda no rádio e na TV. Com a conivência silenciosa de agências e anunciantes.

Quando dirigida às crianças, os efeitos da publicidade tornam-se ainda mais perversos. A presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Vilela, conta que até em áreas carentes de cidades como São Paulo já é possível perceber esse fenômeno. A partir de um projeto social desenvolvido pela instituição na zona leste da cidade constatou-se que “crianças cujas famílias dependem de cestas básicas não saem de casa sem passar batom. Que acham que a maior felicidade do mundo é ter cabelos longos e loiros iguais aos da Barbie. Meninas que vestem micro-saias e ficam grávidas na adolescência. Meninos que insultam mulheres e tomam cerveja. Mães que, depois de muito choro e muita insistência dos filhos, gastam todo seu dinheiro para comprar um boneco Power Ranger. Filhos que depois de ganhar um Power Ranger, brincam dois dias, abandonam o boneco e começam a pedir a próxima novidade anunciada na televisão. Ou ainda garotos que falam que agora sim os pais podem comprar tudo o que querem porque determinado banco oferece crédito acompanhado de alguns bonequinhos de brinde. Crianças e adolescentes brasileiros repetindo diariamente o nome de inúmeras marcas, que algumas vezes estão entre as dez primeiras palavras de seu recém-formado vocabulário”.

Diz ainda que “do Rio Grande do Sul ao Amapá, das periferias dos grandes centros urbanos ao interior da Bahia, eles querem se vestir e comer da mesma forma. Querem marcas – usar o tênis Nike, comer Fandangos e ter a mochila da Hello Kitty. Preferem não ir à praia ou ao campo porque sabem que lá não encontrarão tevê ou videogame. Trocam o suco de mexerica por Coca-Cola, e arroz, feijão e couve, por Big Mac com batata frita”.

Para Ana Lucia “os pais não são os únicos responsáveis pelos filhos que não param de pedir produtos vistos na tevê, que são obesos, sexualmente precoces ou com comportamentos violentos. A responsabilidade maior está nas empresas e agências de publicidade que apostam no mercado infantil, procurando a vulnerabilidade de cada faixa etária da infância e adolescência para criar consumidores fiéis: as crianças de consumo”.

O anúncio dos publicitários e dos anunciantes publicado nos grandes jornais é uma reação à denúncias como essa, aos projetos de lei tramitando no Congresso para por limites nessa farra e ao aumento das pesquisas científicas mostrando os males da propaganda. Reação de quem se acha acuado e percebe que o tempo dos privilégios está acabando.

.